Projeto de Resolução n.º 848/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo a realização urgente de uma avaliação técnica independente
à estrutura do Palácio da Justiça da Praia da Vitória, na ilha Terceira
Exposição de motivos
O acesso à justiça é um dos pilares fundamentais do Estado de Direito democrático,
devendo ser assegurado em condições de dignidade, segurança e funcionalidade para
magistrados, funcionários judiciais, advogados e cidadãos.
Sucede, porém, que as condições em que se encontram as instalações d o Palácio da
Justiça da Praia da Vitória, na ilha Terceira, levantam sérias preocupações quanto ao
estado de conservação do edifício e, consequentemente, quanto às condições em que
funciona o Tribunal, enquanto serviço essencial do Estado.
Com efeito, tal situação tem sido repetidamente denunciada pelos profissionais e, de
igual modo, pelos cidadãos que recorrem às instalações do Tribunal, sendo salientado o
seu avançado estado de degradação.
Entre os problemas destacam-se inundações frequentes na cave do edifício, com níveis
de água superiores a um metro de altura, sempre que ocorrem períodos de chuva
intensa; presença de humidades, fissuras e sinais de degradação estrutural em diversas
zonas do edifício; deficiente isolamento térmico, com janelas vedadas de forma
improvisada para impedir a entrada de frio; instalações degradadas e inadequadas ao
normal funcionamento dos serviços judiciais; ausência de condições adequadas de
acessibilidade para cidadãos com mobilidade reduzida; e falta de capacidade financeira
local para realizar intervenções básicas de manutenção.
De acordo com o Relatório Anual de Gestão do Tribunal Judicial da Comarca dos Açores
relativo a 2025, é assinalada a necessidade de obras de remodelação no Palácio da
Justiça da Praia da Vitória, tendo ainda ficado por realizar intervenções anteriormente
previstas, por falta de cabimentação orçamental por parte da Direção -Geral da
Administração da Justiça.
Esta situação é particularmente preocupante porque pode colocar em risco a segurança
de trabalhadores e utentes, além de comprometer a qualidade e a integral continuidade
de um serviço público de justiça prestado à população da ilha Terceira.
Importa recordar que os tribunais são serviços do Estado central e, por isso, compete ao
Governo garantir que funcionam em instalações seguras, dignas e adequadas.
Perante os sinais evidentes de deterioração do edifício e as legítimas dúvidas quanto à
integridade da sua estrutura, torna-se indispensável proceder com urgência e celeridade
a uma avaliação técn ica independente que permita apurar o real estado do edifício,
identificar eventuais riscos e definir as intervenções necessárias para garantir a
segurança de todos.
Diante do exposto, consideram os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA que,
antes de qua lquer decisão sobre obras de reabilitação ou eventual substituição do
edifício, seja realizada uma avaliação técnica, mediante rigorosa peritagem ao local,
conduzida por entidades técnicas independentes, que permita apurar, o atual estado do
Palácio da Justiça da Praia da Vitória, assim como todas as necessidades de intervenção
do mesmo, devendo ser adotadas todas as medidas necessárias até à realização de uma
intervenção definitiva.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do Grupo
Parlamentar do CHEGA recomendam ao Governo que:
1. Promova a realização, com carácter de urgência, de uma avaliação técnica
independente à estrutura do edifício do Palácio da Justiça da Praia da Vitória, na
ilha Terceira, mediante peritagem que aver igue o estado de conservação, a
segurança estrutural e as condições de utilização do edifício.
2. Proceda à divulgação dos resultados da avaliação, garantindo transparência
quanto às conclusões técnicas e aos riscos eventualmente identificados.
3. Apresente um plano de intervenção para a requalificação profunda ou, se tal se
justificar, para a eventual substituição do edifício, caso a avaliação confirme a
existência de problemas estruturais ou riscos para trabalhadores e utentes.
4. Adote todas as medidas que se re velem necessárias para garantir condições
dignas de funcionamento do Tribunal e o cumprimento dos requisitos de
segurança, acessibilidade e adequadas condições, até à realização de uma
intervenção estrutural definitiva.
Palácio de São Bento, 17 de Abril de 2026.
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA,
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