Projeto de Resolução n.º 624/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo Português, a tomada de iniciativas no quadro da UE, visando a suspensão de acordos de cooperação policial e de partilha de informações entre a UE e o ICE
Exposição de motivos:
Desde setembro de 2025, têm vindo a ser denunciados vários casos de uso de força excessiva e letal por parte de agentes do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE) dos Estados Unidos da América, no contexto de operações de controlo migratório em diversas cidades daquele país, com especial incidência em Minneapolis, no estado do Minnesota.
Estes incidentes ocorrem num quadro político de intensificação da repressão migratória, em que múltiplos relatos apontam para pessoas atingidas por disparos e vítimas mortais resultantes de intervenções do ICE em circunstâncias dúbias em matéria de proporcionalidade de uso da força e de respeito pelos direitos fundamentais de cidadãs e cidadãos nos Estados Unidos da América.
Entre os casos mais graves e emblemáticos contam‑se o de Renee Nicole Good, cidadã norte‑americana de 37 anos, assassinada por um agente do ICE no interior do seu veículo em Minneapolis, a 7 de janeiro de 2026, e de Alex Pretti, enfermeiro de cuidados intensivos de 37 anos, igualmente assassinado por agentes federais na mesma cidade, a 24 de janeiro de 2026. Estas mortes desencadearam forte contestação social com exigências de investigações independentes a nível local, estadual e federal, e tiveram ampla cobertura mediática internacional.
Perante a gravidade e padrão destes incidentes, 7 Relatores Especiais das Nações Unidas emitiram, no passado dia 11 de fevereiro, um comunicado conjunto no qual alertam que os tiroteios fatais em Minneapolis podem equivaler a execuções extrajudiciais, sublinhando a necessidade urgente de investigações independentes e transparentes sobre as circunstâncias destas mortes e de garantias de que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados.
Os casos de Renee Nicole Good e de Alex Pretti não são episódios isolados, mas inserem‑se num quadro mais amplo de vítimas mortais, ferimentos graves e outras violações de direitos fundamentais associadas à atuação do ICE e de outras forças federais norte‑americanas. Diversas investigações jornalísticas e testemunhos recolhidos, incluindo por senadores americanos e por organizações de defesa de Direitos Humanos dão conta de um padrão sistemático de uso desproporcional da força, detenções arbitrárias, intimidação de comunidades racializadas e práticas que podem configurar xenofobia, bem como condições degradantes e desumanas em centros de detenção.
Estes relatos e incidentes evidenciam problemas de uma cultura institucionalizada e indissociável de opções e retórica políticas que promovem abertamente a estigmatização de pessoas migrantes e que alimentam um clima de medo generalizado e de hostilidade em relação a comunidades inteiras e ao mesmo tempo que denotam uma permissividade política face à atuação destas entidades, podendo traduzir-se numa forma de terrorismo de Estado que fragiliza a confiança nas instituições americanas e fere gravemente qualquer garantia de respeito pelos direitos civis e políticos da população.
Entende o LIVRE que esta deriva representa um grave retrocesso democrático, com efeitos que extravasam as fronteiras dos Estados Unidos da América e que sinalizam um enfraquecimento preocupante do Estado de Direito e da cultura de respeito pelos Direitos Humanos, pelo que a forma como outros Estados e organizações internacionais reagem a esta realidade adquire particular relevância. É, por isso, essencial que Portugal, enquanto Estado comprometido com o multilateralismo, os Direitos Humanos e o Direito Internacional, adote uma posição clara e coerente perante a atuação do ICE.
Neste contexto, e no quadro da política externa e de segurança comum da União Europeia, defende o LIVRE que Portugal deve promover e advogar pela suspensão imediata de todos os acordos de cooperação policial e de partilha de informações entre a União Europeia e o ICE, assim evitando qualquer forma de legitimação ou cooperação que, direta ou indiretamente, contribua para perpetuar estas práticas.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do LIVRE propõe à Assembleia da República que, através do presente Projeto de Resolução, delibere recomendar ao Governo que:
Promova as necessárias diligências junto da Comissão Europeia e do Conselho da União Europeia para a suspensão imediata de todos os acordos de cooperação policial e de partilha de informações entre a União Europeia e o Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos da América (ICE), até que sejam implementadas reformas estruturais que garantam o respeito pelos direitos fundamentais e seja concluída uma investigação independente e transparente sobre os casos de uso de força letal e outras violações de Direitos Humanos perpetradas pela agência federal.
Assembleia da República, 19 de fevereiro de 2026
As Deputadas e os Deputados do LIVRE
Isabel Mendes Lopes
Filipa Pinto
Jorge Pinto
Patrícia Gonçalves
Paulo Muacho
Rui Tavares
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Votação Deliberação — DAR I série — 69-69 - 21/03/2026
21 DE MARÇO DE 2026
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Temos ainda para votar o requerimento, apresentado pelo Partido Socialista, a solicitar a baixa à Comissão
de Agricultura e Pescas, sem votação, por 90 dias, do Projeto de Lei n.º 205/XVII/1.ª (PS) — Procede à revisão
do regime da propriedade rústica.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Ponho agora à votação, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 629/XVII/1.ª (L) — Constituição da
comissão eventual sobre preparação, acompanhamento e resposta a eventos extremos.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, da IL e do CDS-PP e os votos a favor do L,
do PCP, do BE, do PAN e do JPP e as abstenções do CH e do PS.
Passamos à votação do Projeto de Resolução n.º 624/XVII/1.ª (L) — Recomenda ao Governo português, a
tomada de iniciativas no quadro da UE, visando a suspensão de acordos de cooperação policial e de partilha de
informações entre a UE e o ICE.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do CH, do PS, da IL e do CDS-PP e os
votos a favor do L, do PCP, do BE, do PAN e do JPP.
A Sr.ª Marta Patrícia Silva (IL): — Peço a palavra, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Faça favor, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Marta Patrícia Silva (IL): — Sr. Presidente, apenas para informar que iremos apresentar uma
declaração de voto, por escrito, relativa a esta votação.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Votamos de seguida, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 617/XVII/1.ª (CH) — Recomenda ao
Governo que defenda junto da Organização das Nações Unidas a imediata exoneração de Francesca Albanese
do cargo de Relatora Especial da ONU para os territórios palestinianos ocupados.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PS, do L, do PCP, do BE, do PAN e do JPP, os
votos a favor do CH e do CDS-PP e as abstenções do PSD e da IL.
Passamos à votação do Projeto de Resolução n.º 616/XVII/1.ª (CH) — Recomenda ao Governo que atualize
os valores tabelados dos serviços remunerados prestados pela Polícia de Segurança Pública (PSP) e pela
Guarda Nacional Republicana (GNR), de forma a assegurar a dignidade das remunerações.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, da IL e do CDS-PP, os votos a favor do CH,
do BE, do PAN e do JPP e as abstenções do PS, do L e do PCP.
O Sr. Luís Moreira Testa (PS): — Peço a palavra, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. Luís Moreira Testa (PS): — Sr. Presidente, é para anunciar que entregaremos uma declaração de
voto, por escrito, sobre esta votação.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
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