Projeto de Resolução n.º 389/XVII/1ª
Consagração do Dia Nacional da Comunicação
Exposição de motivos
A comunicação é um dos pilares silenciosos da dignidade humana. É por via dela que
cada pessoa participa na vida em sociedade, manifesta a sua vontade,constrói relações,
adquire conhecimento, exerce uma profissão, toma decisões e concretiza a sua
cidadania, incluindo o pleno exercício do direito de voto. Numa democracia madura,
comunicar não pode ser encarado como um privilégio , mas antes como um direit o
fundamental, com expressão na ordem constitucional e em instrumentos internacionais
que Portugal se vincula a cumprir.
Apesar desta evidência, uma parte significativa da população vive com dificuldades de
comunicação que condicionam severamente o quotidi ano, a autonomia e a inclusão.
Falamos de crianças com perturbações da linguagem e do desenvolvimento, de alunos
que não conseguem expressar necessidades básicas em contexto escolar, de adultos
que, após um acidente vascular cerebral, traumatismo craniano ou patologia
neurológica, perdem parcial ou totalmente a capacidade de falar, compreender, ler,
escrever ou até gestualizar com intenção comunicativa. Falamos ainda de pessoas
submetidas a tratamentos oncológicos que as deixam sem voz, de doentes com
patologias neurodegenerativas que perdem progressivamente funções cognitivas e
comunicativas, e de cidadãos que dependem de sistemas de comunicação aumentativa
e alternativa, de baixa ou alta tecnologia, para manterem um vínculo efetivo ao mundo.
Quando a comun icação falha, o impacto ultrapassa a dimensão clínica. Instala -se o
isolamento, agravam-se dificuldades na aprendizagem e na integração social, deteriora-
se a saúde mental e reduz -se a capacidade de acesso a serviços, oportunidades e
direitos. A falta de c ondições para comunicar amplifica a desigualdade e empurra
pessoas e famílias para a margem. Uma sociedade que se resigna a isto está, na prática,
a aceitar que existem cidadãos com menor capacidade de se fazerem ouvir e, por isso,
com menor capacidade de existir plenamente no espaço público.
A Sociedade Portuguesa de Terapia da Fala (SPTF), enquanto estrutura de referência na
sensibilização para estas matérias e na valorização da intervenção especializada,
impulsionou a Petição n.º 141/XVI/1.ª “ 8 de janeir o - Dia Nacional da Comunicação ”,
subscrita por 8 626 cidadãos e entregue na Assembleia da República em 27 de janeiro
de 2025, tendo a iniciativa transitado para a XVII Legislatura. Esta mobilização cívica
mostra que o tema não é periférico , mas é sentido, vivido e reclamado por cidadãos,
profissionais e famílias que conhecem, no terreno, as consequências reais das barreiras
comunicacionais.
Consagrar o Dia Nacional da Comunicação a 8 de janeiro é, por isso, um ato de
reconhecimento público da centralidade deste direito e um instrumento útil de
consciencialização coletiva. Não é uma medida meramente simbólica , é sim um marco
anual para promover debate, literacia, prevenção, diagnóstico precoce, reabilitação e
inclusão, valorizando simultaneamente o trabalho dos profissionais que diariamente
devolvem voz, compreensão e autonomia a milhares de portugueses. É, acima de tudo,
uma afirmação inequívoca de que ninguém deve ficar para trás por não conseguir
comunicar.
Assim, nos termos constitucionais e regimentalmente aplicáveis, os Deputados do
Grupo Parlamentar do CHEGA, recomendam ao Governo que:
Consagre o Dia Nacional da Comunicação, a comemorar no dia 8 de janeiro de cada ano.
Palácio de São Bento, 2 de Dezembro de 2025
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA,
Pedro Pinto – Felicidade Vital – Armando Grave – Catarina Salgueiro – Lina Pinheiro –
Paulo Seco
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