Projeto de Resolução n.º 592/XVII/1.ª
Promoção da dádiva de sangue e reforço da capacidade do Instituto
Português do Sangue e da Transplantação, I.P.
Exposição de motivos:
A dádiva de sangue é essencial para o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS),
permitindo responder diariamente a necessidades em contextos de urgência, cirurgia,
oncologia e outras situações clínicas graves. O Relatório de Atividade Transfusional e
Sistema Português de Hemovigilância de 2024 1 evidência, no entanto, uma trajetória
preocupante: Portugal registou 200 965 dadores de sangue em 2024, menos 4 390 do que
em 2023 e menos 9 939 face a 2017, e o número de dádivas diminuiu de 306 033 em 2023
para 299 914 em 2024, quando em 2017 atingia 324 053 2. O relatório sublinha ainda que a
diminuição na taxa de colheita em 2024 se reflete, como é de se esperar, na queda da taxa
de unidades distribuídas e transfundidas3.
Esta evolução é acompanhada por um envelhecimento progressivo da população dadora,
com redução dos dadores mais jovens (18-44 anos) e aumento do peso relativo dos grupos
etários mais velhos4, o que levanta questões sobre a sustentabilidade futura das reservas de
sangue. A Federação Portugue sa de Dadores Benévolos de Sangue (Fepobades) tem
denunciado este problema, assinalando a impossibilidade de doar a partir dos 65 anos e
alertando para “a luta diária para que os mais jovens venham a doar sangue”5.
Apesar da evolução positiva na redução d o estigma e no alargamento dos critérios de
elegibilidade, persistem níveis insuficientes de literacia sobre quem pode doar sangue, o que
limita o potencial de participação de muitas pessoas. Em paralelo, persistem dificuldades de
acesso à dádiva, com assi metrias regionais na taxa de colheitas por 1000 habitantes e
constrangimentos de horários para trabalhadores e estudantes.
Neste contexto, a Fepobades tem alertado, em diversas ocasiões, para a necessidade de
garantir entre 1000 a 1100 unidades diárias de sangue, o que exige a mobilização de toda a
1 Relatório de Atividade Transfusional e Sistema Português de Hemovigilância | 2024, Instituto Português do Sangue e da
Transplantação, I.P. (ver página 13)
2 Idem
3 Ibidem (ver página 14)
4 Portugal perde quase 10.000 dadores de sangue desde 2017 e regressa a níveis pré-pandemia, Saúde Mais
5 FEPODABES manifesta preocupação face ao silêncio do Ministério da Saúde sobre a dádiva de sangue | HealthNews
sociedade, bem como mais incentivos, mais promoção, melhor planeamento, mais
profissionais de saúde e horários de atendimento aos dadores mais adequados,
nomeadamente nos hospitais, de modo a dar resposta a todos os pedidos de colheitas6.
Face à combinação destes fatores, queda do número de dadores, envelhecimento da
população dadora, e desafios de acessibilidade e literacia, torna-se necessário adotar
medidas que reforcem a sensibilização da população, melhorem a gestão de dadores e
assegurem que o Instituto Português do Sangue e da Transplantação, I. P., dispõe de
recursos necessários para manter reservas suficientes em todo o território nacional.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do LIVRE propõe à Assembleia da República que, através do presente
Projeto de Resolução, delibere recomendar ao Governo que:
1. Desenvolva uma campanha nacional de sensibilização para a dádiva de sangue, de
carácter regular, que informe sobre os critérios de elegibilidade, o processo de dádiva
e os benefícios coletivos que dela resultam;
2. Defina metas para o aumento do número de dadores regulares, com especial foco nos
jovens;
3. Promova a fidelização de dadores de sangue, modernizando os canais de
comunicação e de notificação dos dadores, garantido o uso de linguagem clara e
acessível, bem como a disponibilização da informação em línguas e dialetos
estrangeiros com maior expressão em Portugal;
4. Adote medidas para melhorar a acessibilidade à dádiva de sangue, identificando as
zonas do país com menor taxa de dádiva, reforçando nelas as ações de colheita e
promovendo horários pós-laborais, ao fim de semana e em locais de trabalho, de
ensino e nos serviços públicos;
5. Reforce os recursos humanos e financeiros do Instituto Português do Sangue e da
Transplantação, I. P., para garantir a sua capacidade de resposta.
Assembleia da República, 13 de fevereiro de 2026
As Deputadas e os Deputados do LIVRE
Isabel Mendes Lopes Filipa Pinto
Jorge Pinto Patrícia Gonçalves
Paulo Muacho Rui Tavares
6 FEPODABES manifesta preocupação face ao silêncio do Ministério da Saúde sobre a dádiva de sangue | HealthNews
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Apreciação — DAR I série — 75-84 - 27/02/2026
28 DE FEVEREIRO DE 2026
Tem a palavra o Sr. Deputado Fabian Figueiredo, para fazer o favor de apresentar o projeto de lei do Bloco
de Esquerda.
Pausa.
Pedia às Sr.as Deputadas e aos Srs. Deputados o favor de se sentarem, para que o Sr. Deputado Fabian
Figueiredo possa começar a sua intervenção.
Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. Fabian Figueiredo (BE): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: A dádiva de sangue é um gesto
solidário que salva vidas, todos os dias. Por todo o País, associações e federações de dadores, cuja presença
saúdo, promovem esta solidariedade e são aliados indispensáveis do Serviço Nacional de Saúde.
São muitos os dadores benévolos que exercem este ato de humanidade há várias décadas. São garantes
anónimos do direito de todas as pessoas à saúde. Este é o País que nos orgulha: todos por todos, um País
solidário.
Os dadores dão muito de si e é da mais elementar justiça restituir o direito à dispensa de atividade sem
perda de remuneração no dia da dádiva. É justo reconhecer os atuais dadores e é urgente cativar as novas
gerações para se juntarem ao esforço solidário da dádiva de sangue.
Nos últimos anos, o número de dadores baixou, e é na geração mais jovem que se sente a quebra.
Propomos, por isso, criar incentivos, à semelhança do que acontece noutros países europeus, para que mais
jovens se tornem dadores: direito ao transporte gratuito, direito a uma assinatura de um jornal e notificação
digital do uso da dádiva — são incentivos que promovem junto dos jovens uma cidadania consciente.
Está nas mãos do Parlamento aprovar estas propostas para fazer justiça aos dadores e para renovar
geracionalmente esta prática de um País solidário.
O Sr. Presidente: — O Sr. Deputado tem um pedido de esclarecimento da Sr.ª Deputada Sónia Fernandes,
do PSD.
Faça favor Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Sónia Margarida Fernandes (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, discutimos uma
alteração ao Estatuto do Dador de Sangue e ao Código do Trabalho, no sentido, precisamente, de consagrar o
direito à dispensa do trabalho no dia da dádiva, sem perda de retribuição, apresentada pelo Bloco de
Esquerda.
Permitam-me começar por aquilo que é essencial: o PSD valoriza os dadores de sangue. Reconhecemos o
seu sentido cívico, a sua contribuição decisiva para o funcionamento do nosso sistema nacional de saúde e
para salvar vidas todos os dias.
Dito isto, não podemos ignorar o contexto mais amplo em que se insere esta proposta: como é consabido,
o Governo está desde a primeira hora empenhado numa reforma estrutural do mercado de trabalho — agenda
Trabalho XXI —, com vista a promover o desenvolvimento económico, a garantir o direito dos trabalhadores e
a criar melhores condições de trabalho para todos.
Esta reforma está a ser construída no lugar próprio, à mesa das negociações com a concertação social,
com os parceiros sociais, em diálogo sério e responsável.
Neste contexto, é importante sublinhar que a UGT (União Geral de Trabalhadores) apresentou uma
proposta tecnicamente fundamentada, demonstrando disponibilidade para o compromisso e para a
negociação.
Já a CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), intersindical com a qual os partidos da
esquerda, designadamente o Bloco de Esquerda, tantas vezes se identificam e defendem,…
Protestos do BE.
… não apresentou qualquer contraproposta e optou por não se sentar à mesa das negociações.
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Votação na generalidade — DAR I série — 69-69 - 28/02/2026
28 DE FEVEREIRO DE 2026
Continuamos com a votação, na generalidade, do Projeto de Lei n.º 430/XVII/1.ª (PCP) — Direito à dispensa
ao trabalho no dia da dádiva de sangue, alterando o Estatuto do Dador de Sangue.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD e do CDS-PP, os votos a favor do L, do PCP,
do BE, do PAN e do JPP e as abstenções do CH, do PS e da IL.
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 537/XVII/1.ª (CH) — Pela dignidade da
dádiva de sangue e pela segurança do Serviço Nacional de Saúde.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD e do CDS-PP, os votos a favor do CH, do
BE e do JPP e as abstenções do PS, da IL, do L, do PCP e do PAN.
Seguimos para a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 592/XVII/1.ª (L) — Promoção da
dádiva de sangue e reforço da capacidade do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, I.P.
Submetido à votação, foi rejeitado, com o voto contra do CH, os votos a favor do L, do PCP, do BE, do PAN
e do JPP e as abstenções do PSD, do PS, da IL e do CDS-PP.
Votamos agora, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 599/XVII/1.ª (PS) — Pela promoção estruturada
da dádiva voluntária e regular de sangue.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do CH, do PS, da IL, do L, do PCP, do BE, do PAN
e do JPP e as abstenções do PSD e do CDS-PP.
Passamos para a votação do Projeto de Resolução n.º 533/XVII/1.ª (PAN) — Recomenda ao Governo a
adoção de medidas urgentes de proteção e bem-estar animal em situações de emergência e catástrofe,
assegurando apoio às associações zoófilas, cuidadores e centros de recolha oficial de animais.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do CH, do PS, da IL, do L, do BE, do PAN e do
JPP, os votos contra do PSD e do CDS-PP e a abstenção do PCP.
Prosseguimos com a votação do Projeto de Resolução n.º 489/XVII/1.ª (PCP) — Condenação da agressão
militar dos EUA contra a República Bolivariana da Venezuela e do sequestro do seu Presidente, Nicolás Maduro,
e da sua esposa, a Deputada Cilia Flores.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, do CH, da IL e do CDS-PP, os votos a favor
do L, do PCP, do BE, do PAN e do JPP e a abstenção do PS.
A Sr.ª Deputada Isabel Mendes Lopes pede a palavra para que efeito?
A Sr.ª Isabel Mendes Lopes (L): — Sr.ª Presidente, é para anunciar uma declaração de voto escrita sobre
esta votação.
A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Certo.
O Sr. Deputado Filipe Sousa pede a palavra para que efeito?
O Sr. Filipe Sousa (JPP): ⎯ Sr.ª Presidente, é também para anunciar a apresentação de uma declaração
de voto escrita.
A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Fica registado.
A Sr.ª Deputada Júlia Rodrigues pede a palavra para que efeito?
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