Projeto de Resolução n.º 339/XVII/1.ª
Pelo reforço do valor dos apoios financeiros para os contratos de cooperação
relativos aos centros de recursos para a inclusão
Exposição de motivos
Os Centros de Recursos para a Inclusão são estruturas de apoio especializado destinadas
a crianças e jovens que, no decurso do seu percurso educativo, necessitem da
mobilização de medidas adicionais de suporte à aprendizagem e à inclusão, nos termos
do Decreto -Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, na sua redação a tual. A intervenção dos
Centros de Recursos para a Inclusão tem como finalidade assegurar a igualdade de
oportunidades no acesso e sucesso educativos, promovendo a plena participação social,
a autonomia pessoal e a transição para a vida ativa, em conformidade com os princípios
da educação inclusiva e da escola para todos.
Os apoios especializados prestados pelos Centros de Recursos para a Inclusão em
contexto escolar visam eliminar ou reduzir as barreiras que condicionam a
aprendizagem e a participação dos alunos nos diferentes contextos educativos,
contribuindo para a melhoria da sua funcionalidade, para a otimização das
aprendizagens e para o reforço dos níveis de participação e de autonomia. Deste modo,
pretende-se garantir que cada aluno alcance os obje tivos e as competências definidos
no currículo, em condições de equidade e de inclusão efetiva.
Os técnicos dos Centros de Recursos para a Inclusão integram, de forma variável e de
acordo com as necessidades diagnosticadas, a equipa multidisciplinar de ap oio à
educação inclusiva, colaborando no processo de identificação, planeamento e
implementação das medidas adicionais de suporte à aprendizagem e à inclusão.
Compete-lhes, ainda, intervir no planeamento, execução e acompanhamento do Plano
Individual de Transição, apoiando o processo de transição para a vida pós-escolar, bem
como desenvolver ações de apoio técnico e de aconselhamento dirigidas às famílias ou
pessoas significativas dos alunos abrangidos.
A atuação dos Centros de Recursos para a Inclusão pauta-se por princípios de equidade,
inclusão e valorização da diversidade, contribuindo para a concretização do direito à
educação e para o cumprimento da missão da escola pública enquanto espaço de
formação integral, participação cívica e preparação para a vida ativa. Assim, os apoios
especializados prestados por estas estruturas assumem um papel determinante na
promoção do desenvolvimento global dos alunos e na construção de percursos
educativos e de vida autónomos, social e profissionalmente integrados.
A persistente escassez de apoios terapêuticos nas escolas portuguesas continua a
configurar uma das mais significativas lacunas na efetivação do princípio da educação
inclusiva, consagrado no Decreto -Lei n.º 54/2018, de 6 de julho. Tal insuficiência
compromete o direito das crianças e jovens com necessidades específicas beneficiarem
dos apoios adequados à sua plena participação e ao seu sucesso educativo, contrariando
o espírito e a letra da legislação em vigor.
O financiamento dos Centros de Recursos para a Inclusão pelo Ministério da Educação
formaliza-se através da celebração de contratos de cooperação com as respetivas
instituições, ao abrigo do previsto na Portaria n.º 1102/97, de 3 de novembro, e no
Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, na sua redaç ão atual , e o reforço deste
financiamento é a melhor forma de assegurar o problema da escassez de apoios
terapêuticos.
No Comunicado do Conselho de Ministros de 23 de abril de 2025, foi anunciado um
conjunto de seis resoluções relativas a investimentos no domínio da Educação e do
Ensino Superior, totalizando cerca de 150 milhões de euros. Entre estas, destaca -se a
Resolução do Conselho de Ministros n.º 94/2025, de 2 de maio, que autorizou os apoios
financeiros aos Centros de Recursos para a Inclusão, decor rentes dos contratos de
cooperação para o ano letivo de 2025-2026, até ao montante global de 13.1 milhões de
euros.
O valor aprovado para o ano letivo 2025-2026 é exatamente igual ao que foi atribuído
nos dois anos letivos anteriores, por via das Resoluções do Conselho de Ministros n.º s
96/2023 e 75/2024, que fixaram esse mesmo valor respetivamente para os anos letivos
2023-2024 e 2024 -2025. O congelamento dos apoios financeiros aos Centros de
Recursos para a Inclusão, decorrentes dos contratos de cooperação para o ano letivo de
2025-2026, traduzir-se-á no agravamento das insuficiências há muito identificadas ao
nível do acesso a apoios terapêuticos, atendendo ao aumento progressivo do número
de alunos com necessidades de mobilização de medidas adicionais.
Esta situação revela uma clara desadequação entre as políticas de financiamento e as
exigências decorrentes da realidade educativa, configurando uma omissão de resposta
efetiva às obrigações do Estado em matéria de inclusão e igualdade de oportunidades.
Assim, por forma a assegurar um sistema educativo verdadeiramente inclusivo, com a
presente iniciativa o PAN pretende garantir um reforço do valor dos apoios financeiros
para os contratos de cooperação relativos aos centros de recursos para a incl usão para
o ano letivo de 2025 -2026, e que o Governo fixe critérios de atualização anual de tais
apoios por forma a acomodar o aumento dos custos de operação, a assegurar os meios
humanos adequados ao cumprimento da sua missão e a suficiência dos apoios
terapêuticos disponibilizados às crianças e jovens.
Nestes termos, a abaixo assinada Deputada Única do PESSOAS -ANIMAIS-NATUREZA,
ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, propõe que a
Assembleia da República adote a seguinte Resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição
da República Portuguesa, recomendar ao Governo que garanta:
I. O reforço do valor dos apoios financeiros para os contratos de cooperação
relativos aos centros de recursos para a inclusão para o ano letivo de 2025 -
2026; e
II. Fixe critérios de atualização anual de tais apoios por forma a acomodar o
aumento dos custos de operação, a assegurar os meios humanos adequados
ao cumprimento da sua missão e a suficiência dos ap oios terapêuticos
disponibilizados às crianças e jovens.
Assembleia da República, Palácio de São Bento, 10 de outubro de 2025
A Deputada,
Inês de Sousa Real
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Apreciação — DAR I série — 4-18 - 31/01/2026
I SÉRIE — NÚMERO 53
O Sr. Presidente (Marcos Perestrello): — Muito bom dia.
Hoje temos um guião relativamente longo e, por isso, começamos uma hora mais cedo. Penso que estamos
em condições de dar início aos trabalhos.
Eram 9 horas e 3 minutos.
Peço aos Srs. Deputados que tomem os seus lugares.
Solicito aos Srs. Agentes da autoridade o obséquio de abrirem as galerias.
Do primeiro ponto da ordem do dia consta a apreciação, na generalidade, do Projeto de Lei
n.º 217/XVII/1.ª (IL) — Revisão anual dos valores de apoio aos contratos de associação, patrocínio e
cooperação, bem como às escolas profissionais privadas, do Projeto de Resolução n.º 324/XVII/1.ª (IL) —
Revisão imediata dos valores de apoio aos contratos de associação, patrocínio e cooperação, bem como às
escolas profissionais privadas, do Projeto de Lei n.º 257/XVII/1.ª (PCP) — Plano estratégico de investimento na
educação inclusiva e ensino artístico, atualizando modelo de financiamento dos contratos de patrocínio e
contratos de cooperação e dos Projetos de Resolução n.os 26/XVII/1.ª (CDS-PP) — Recomenda ao Governo a
atualização do valor de apoio financeiro por turma e por ano para os contratos de associação, cooperação e
patrocínio e a revisão do modelo de financiamento para o ensino profissional privado, 178/XVII/1.ª (CH) —
Recomenda ao Governo que faça uma atualização nos contratos de associação, cooperação, bem como às
escolas profissionais privadas, 339/XVII/1.ª (PAN) — Pelo reforço do valor dos apoios financeiros para os
contratos de cooperação relativos aos centros de recursos para a inclusão, 499/XVII/1.ª (L) — Recomenda o
reforço da educação inclusiva e da educação artística e 502/XVII/1.ª (PS) — Recomenda ao Governo a revisão
do valor do apoio financeiro dos contratos de cooperação, de associação e de patrocínio, bem como a
atualização das tabelas dos valores anuais a atribuir aos cursos profissionais.
Para proceder à apresentação das suas iniciativas, tem a palavra a Sr.ª Deputada Angélique Da Teresa, da
Iniciativa Liberal.
A Sr.ª Angélique Da Teresa (IL): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Ultimamente, muitos têm enchido
o peito para falar de democracias liberais, democracias essas onde a liberdade de escolha no ensino cabe às
famílias e não ao Estado.
Quanto a nós, se estivéssemos num País que funcionasse, não teríamos este debate, nem as escolas
estariam a ameaçar fechar as portas, porque o Estado faria o que lhe compete, que seria atualizar os valores
dos contratos que celebra.
Se estivéssemos num País que funcionasse, as escolas não estariam em manifestações à porta do ministério
para pedir o óbvio e não estariam aqui, nas galerias, à espera do óbvio: se o custo de vida aumenta e se o
salário mínimo também, o custo médio por aluno não é exceção.
A crise inflacionista levou a oscilações de preços de 10 %, e os contratos com as escolas não acompanharam.
O salário mínimo tem aumentado, e os contratos com as escolas não acompanharam.
Era como se ali nada se passasse, como se nada estivesse mais caro, nem os trabalhadores precisassem
de ser aumentados para cumprir o que foi decretado pelo Governo.
Quem se manifesta leva alguma coisa, quem não se manifesta é esquecido.
Por isso, a luta destas escolas, das suas comunidades, os pais, filhos e professores, muitos aqui presentes,
é justa e é justamente para eles a nossa saudação. São eles que merecem este debate.
Aplausos da IL.
A asfixia económica destas escolas põe em causa a coesão territorial de Portugal e o percurso dos nossos
futuros artistas e técnicos, tão necessários à nossa economia. Já para não falar das crianças e jovens com
deficiências profundas, a quem devemos garantir um ensino personalizado, que lhes permita ter a maior
autonomia possível. É isso que esses pais precisam, saber que os seus filhos terão a maior autonomia possível
quando esses pais já não estiverem por cá.
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Votação na generalidade — DAR I série — 94-94 - 31/01/2026
I SÉRIE — NÚMERO 53
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 26/XVII/1.ª (CDS-PP) — Recomenda ao
Governo a atualização do valor de apoio financeiro por turma e por ano para os contratos de associação,
cooperação e patrocínio e a revisão do modelo de financiamento para o ensino profissional privado.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do CH, do PS, da IL, do CDS-PP, do PAN e do JPP,
o voto contra do PCP e as abstenções do PSD, do L e do BE.
Foi uma curiosa constelação de votos, a que eu acabei de anunciar.
Risos.
Passamos à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 178/XVII/1.ª (CH) — Recomenda ao
Governo que faça uma atualização nos contratos de associação, cooperação, bem como às escolas
profissionais privadas.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do CH, do PS, da IL, do CDS-PP, do PAN e do JPP,
o voto contra do PCP e as abstenções do PSD, do L e do BE.
Foi uma constelação de votos muito semelhante à anterior, mas, por tão semelhante, já não tão curiosa,
desta vez.
Risos.
O Sr. Paulo Núncio (CDS-PP): — Igualmente estranho!
O Sr. Presidente (Marcos Perestrello): — Até o CDS estranhou os votos com que a sua proposta foi
aprovada.
Risos.
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 339/XVII/1.ª (PAN) — Pelo reforço do
valor dos apoios financeiros para os contratos de cooperação relativos aos centros de recursos para a inclusão.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD e do CDS-PP, os votos a favor do PS, da IL,
do L, do PCP, do BE, do PAN e do JPP e a abstenção do CH.
Vamos votar, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 499/XVII/1.ª (L) — Recomenda o reforço da
educação inclusiva e da educação artística.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD e do CDS-PP, os votos a favor do PS, do L,
do PCP, do BE, do PAN e do JPP e as abstenções do CH e da IL.
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 502/XVII/1.ª (PS) — Recomenda ao
Governo a revisão do valor do apoio financeiro dos contratos de cooperação, de associação e de patrocínio,
bem como a atualização das tabelas dos valores anuais a atribuir aos cursos profissionais.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do CH, do PS, do L, do BE, do PAN e do JPP, os
votos contra do PSD, da IL e do PCP e a abstenção do CDS-PP.
Esta iniciativa baixa à 8.ª Comissão.
A Sr.ª Deputada Paula Santos pede a palavra para que efeito?
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