Projeto de Resolução n.º 712/XVII/1ª
Recomenda ao Governo que assegure a transparência nos processos de apoio relaƟvos às
tempestades
Exposição de moƟvos
O Estado Português falhou no apoio às populações depois dos fenómenos extremos que
colocaram o país em risco. Importa recordar os incêndios que ocorreram no ano transato,
que devastaram completamente o país, sendo crucial o apoio por parte do Governo
português para a população recuperar os seus meios de subsistência e reconstruir as suas
vidas. No entanto, esse apoio do Estado não chegou a mais de metade da população
afetada, note-se que, de acordo com os relatórios produzidos pelas Comissões de
Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), num universo de 9303 candidaturas
submeƟdas, apenas 3445 foram, efeƟvamente, pagas.1
Recentemente, o país foi afetado por um “comboio de tempestades ”, que destruiu
habitações, negócios, infraestruturas, no fundo, tudo aquilo que as p essoas demoraram
a construir durante uma vida. Tendo em consideração a gravidade dos danos, foram
promeƟdos apoios financeiros para reparar os estragos, fixando um conjunto de regras e
atribuindo responsabilidades às autarquias, no que concerne à verificação das
candidaturas aos apoios à reconstrução das habitações.
No entanto, apesar das promessas existentes, persistem milhares de pedidos de apoios e
os autarcas revelam a ausência de financiamento para a recuperação. A ơtulo de exemplo,
o Presidente da Câmara de Leiria, assegura não ter recebido qualquer verba do Estado,
apesar de ter sido amplamente anunciado a transferência para a CCDR do Centro, no valor
de 150 milhões de euros, afirmando, inclusive, que desconhece o critério de distribuição
deste montante. 2
1 Mais de metade dos lesados dos incêndios ainda estão à espera dos apoios promeƟdos em 2025 - Expresso
2 “Não chegou dinheiro nenhum do Estado”. Câmara de Leiria vai pedir 25 milhões à banca – ECO
Adicionalmente, têm exisƟdo alguns problemas, sobretudo nos atrasos dos apoios para a
recuperação das habitações. O Bastonário da Ordem dos Arquitetos, Avelino Oliveira,
afirmou que o prazo de 72 horas para a transferência de apoios até 5 mil euros não estava
a ser cumprido na maior parte dos casos. 3
Sobre estes atrasos, a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), aponta
algumas falhas ao Estado Central, na medida em que consideram que não exisƟu consulta
prévia às autarquias, nem o reforço dos meios necessários para que os municípios
pudessem proceder à verificação das candidaturas aos apoios para a reconstrução das
habitações. 4
Acresce ainda que a alegada simplificação promeƟda pelo Governo ne ste processo, não
se tem verificado, exisƟndo mais de 90% das candidaturas previamente avaliadas pelas
equipas técnicas que têm sido devolvidas às autarquias para a obtenção de
esclarecimentos adicionais. 5
Porém, o m ais grave é que a té ao momento não existem informações concretas dos
apoios atribuídos, do estado de cada candidatura, do grau de execução das medidas, que
acabam por comprometer o acompanhamento do processo da atribuição de apoios e a
transparência necessária, sobretudo porque estão em causa dinheiros públicos. Esta
situação foi descrita pelo Presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, que apelou à
existência de informação diária das candidaturas submeƟdas, aprovados pelas autarquias
e os pagamentos realizados pela CCDR do Centro. 6
Ora, os atrasos existentes e a ausência de informações , tem impactos significaƟvos na
vida das pessoas, no acompanhamento do processo da atribuição de apoios e na
transparência de todo este processo.
Neste senƟdo, torna-se imperaƟvo apostar no rigor na atribuição de apoios, permiƟndo
analisar o grau de execução das medida s, o estado de cada candidatura, os critérios de
3 Número de pessoas que já recebeu apoio até cinco mil euros para recuperar casa “é baixíssimo” -
Renascença
4 Região de Leiria diz ser "injusta e desleal" responsabilização das autarquias - Expresso
5 Região de Leiria diz ser "injusta e desleal" responsabilização das autarquias - Expresso
6 Autarca de Leiria acusa o ministro da Economia de "profundo desconhecimento" sobre o trabalho das
câmaras no terreno - Expresso
distribuição uƟlizados pelas CCDRs, não deixando que nenhuma candidatura fique para
trás e que os apoios sejam, efeƟvamente, pagos a todas as pessoas que foram afetadas.
Assim, nos termos consƟtucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do Grupo
Parlamentar do CHEGA, recomendam ao Governo que:
Assegure a transparência nos processos de apoio relaƟvos às temp estades, através da
publicação semanal, nos sites das CCDRs, do grau de execução das medidas, os critérios
de distribuição e qual o estado de cada candidatura.
Palácio de São Bento, 16 de março de 2026
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA,
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