Projeto de Resolução n.º 574/XVII/1ª
Recomenda ao Governo o reforço dos geradores em infraestruturas essenciaise o
aumento da resiliência dessas infraestruturas em situações de emergência
Exposição de motivos
Num curto espaço de tempo o país foi afetado por vários fenómenos, um apagão e uma
sequência de tempestades, que deixaram várias zonas do território nacional
completamente ao abandono, tal como um rasto de destruição, expondo um conjunto de
falhas que prejudicaram a existência de uma resposta rápida e eficaz a este Ɵpo de
condições.
Uma das maiores tempestades, foi a tempestade KrisƟn, pelo impacto que teve em larga
escala, com consequências devastadoras em várias local idades, principalmente na zona
centro, nas regiões de Coimbra, Oeste e Leiria.
Após a passagem desta tempestade, no dia 30 de janeiro de 2026, ainda exisƟam vários
pontos do país que enfrentavam um conjunto de dificuldades, nomeadamente, a
ausência de eletricidade e comunicações, falhas no abastecimento de água e a suspensão
da circulação ferroviária1.
O impacto desta tempestade foi avassalador não só para as cidades e vilas, mas também
para as pequenas aldeias, onde as pessoas se senƟram verdadeiramente abandonadas e
sem respostas, perante um cenário de destruição de habitações e de negócios, agravado
pela ausência de água e eletricidade, passados cinco dias da ocorrência desta
tempestade.2
Contudo, foram surgindo mais fenómenos adversos, nomeadamente, as tempestades
Leonardo e Marta, que intensificaram as ocorrências e danos por todo o país. Uma das
regiões mais afetadas foi Alcácer do Sal, tendo em consideração que sofreu uma enorme
1 Tempestade KrisƟn mantém milhares sem luz e comunicações em várias regiões do país - Renascença
2 Sem energia há vários dias, produtores de aldeias em Leiria ponderam vender os animais - SIC Noơcias
inundação e ficou submersa, afetando habitações e negócios. Deixou ainda, localidades
isoladas e problemas de abastecimento de água.3
Em outros concelhos, como Arruda dos Vinhos, mais de 20 vias encontram-se cortadas e
apenas uma via é transitável. 4 Importa também mencionar a situação nos arredores de
Coimbra, onde 3 mil pessoas foram aconselhadas a sair das suas habitações, devido ao
volume intenso de água e ao risco de rebentamento dos diques do rio Mondego. 5
Destaca-se ainda , na sequência da tempestade Marta, o agravamento da situação do
abastecimento de energia, na noite de sábado, onde foi possível registar 167 mil clientes
sem eletricidade.6
Perante este cenário críƟco, sobretudo demonstrado pela tempestade KrisƟn , notou-se
verdadeiramente a forma como a ausência de rede elétrica prejudicou diretamente o
funcionamento de infraestruturas essenciais. No setor da saúde, vários centros de saúde
foram afetados, por exemplo: os centros de saúde da Lourinhã e Sobral de Monte Agraço
e as extensões de Sapataria (Sobral de Monte Agraço), São Mamede da Ventosa,
Ramalhal, Campelos (Torres Vedras), Vilar e Figueiros (Cadaval).7
A mesma situação verificou-se nos lares, o que levou, no caso do município de Leiria, ao
Presidente desta Câmara, afirmar que se verificava “uma situação extremamente grave,
sobretudo nos lares” , devido à ausência de eletricidade, apelando inclusivamente às
empresas e insƟtuições que possuam geradores disponíveis para que possam
disponibilizar aos lares e à PSP .8 Também a Proteção Civil apelou aos cidadãos e enƟdades
que tenham geradores inuƟlizáveis para fornecerem aos serviços municipais de Proteção
Civil para serem entregues nos lares com carências de eletricidade para as camas de
pessoas acamadas.9
3 Numa Alcácer submersa em água e tristeza emerge a entreajuda: “Isto é uma batalha” | Reportagem |
PÚBLICO
4 “Situação complexa”: estrada abate em Arruda dos Vinhos deixa 7.000 pessoas sem abastecimento de
água - SIC Noơcias
5 Casas evacuadas e risco de diques colapsarem: autoridades atentas à situação em Coimbra - SIC Noơcias
6 E-Redes revela que há 167 mil clientes sem eletricidade na noite deste sábado
7 Mau tempo: Vários centros de saúde encerrados por falta de eletricidade no Oeste
8 Autarca apela ao Governo para decretar estado de calamidade em Leiria – ECO
9 Mau tempo: Proteção Civil apela à disponibilização de geradores na região Oeste - Renascença
Outras infraestruturas de enorme importância, que ficaram inoperacionais em partes do
território, foram as empresas de distribuição de água. A ausência de eletricidade,
condicionou o funcionamento destas infraestruturas, procedendo à uƟlização das
reservas de água, susceơveis de se esgotarem rapidamente, originando falhas no
abastecimento de água. Tal situação, verificou-se em Coimbra, a empresa Águas de
Coimbra mencionou que “o prolongamento da interrupção de energia elétrica levou ao
esgotamento das reservas de água que asseguravam temporariamente o
abastecimento” .10
Também os hospitais sofreram constrangimentos. O Conselho Português para a Saúde e
Ambiente destaca o impacto nos serviços de saúde, que se refleƟram na inoperância total
ou parcial de vários estabelecimentos de saúde, revelando inclusivamente a ausência de
respostas adequad as. Sendo qu e alguns hospitais foram afetados, como é o caso do
Hospital de Leiria, que adiou consultas e cirurgias e procurou a aquisição imediata de
geradores pela ausência de capacidade adequada.11
A este propósito, o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, afi rmou que o país
“não está preparado ”, nem “suficientemente resiliente ” para enfrentar fenómenos
meteorológicos extremos.12 Em momentos de crise, a importância dos geradores torna-
se assim crucial, permiƟndo, entre um conjunto de exemplos, o acesso a bensde primeira
necessidade. Durante o período do apagão, a existência de geradores possibilitou “o
funcionamento de mais de 80% das lojas de distribuição representadas pela Associação
Portuguesa de Distribuição”.13
A persistente vulnerabilidade do país perante eventos extremos demonstra a necessidade
recorrente de possuir geradores para a obtenção de eletricidade . Neste fenómeno
recente, sabe-se que a E-Redes já instalou sensivelmente 80 geradores, apresentando 200
geradores disponíveis para instalação, priorizando serviços essenciais.14
10 Há várias regiões sem abastecimento de água por cortes de energia | Tempestade KrisƟn | PÚBLICO
11 Catástrofe climáƟca que assola o País está a paralisar cuidados de saúde e a agravar riscos de saúde
pública – Conselho Português para a Saúde e Ambiente
12 António Nunes. “Portugal não está preparado” para fenómenos meteorológicos extremos - Renascença
13 Geradores “salvaram” a distribuição no apagão e podem vir a ser obrigatórios | Apagão | PÚBLICO
14 Um super-gerador e mais 200. Como devolver energia a Leiria – Observador
Considerando estes aspetos, que revelam não só a necessidade, mas também a
insuficiência dos meios atualmente disponíveis, o invesƟmento no reforço dos geradores
em infraestruturas essenciais, como por exemplo: lares, centros d e saúde, hospitais,
empresas de distribuição de água e quartéis de bombeiros, torna-se uma medida
indispensável, permiƟndo a conƟnuidade dos serviços essenciais e miƟgando os danos
decorrentes de contextos de conƟngência.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do Grupo
Parlamentar do CHEGA, recomendam ao Governo que:
Reforce os geradores em infraestruturas essenciais (como por exemplo: lares, centros de
saúde, hospitais, empresas de distribuição de água e quartéis de bombeiros).
Palácio de São Bento, 12 de fevereiro de 2026
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA,
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