PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 754/XVII/1ª
Condenação da escalada de agressão e de ameaças dos EUA contra Cuba
e exigência do respeito da soberania e dos direitos do povo cubano
As ameaças dos Estados Unidos da América à República de Cuba assumem uma
extrema gravidade. O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que, após a agressão
militar dos EUA e Israel ao Irão, Cuba seria a próxima. Donald Trump afirmou ainda que
teria «a honra de tomar Cuba» e que poderá fazer o que quiser deste país. Trata-se de
deploráveis ameaças que só podem suscitar o repúdio e a condenação de todos
quantos defendem os princípios da Carta da Organização das Nações Unidas e do
direito internacional.
Estas inaceitáveis ameaças dos EUA ao povo cubano são indissociáveis das
medidas recentemente adoptadas pela Administração norte-americana que visam
impedir a entrada de combustíveis em Cuba. Medidas que estão a provocar grandes
prejuízos económicos a este país e um profundo impacto nas condições de vida do
povo cubano. Desde o inicio de 2026 que, por força dessas medidas dos EUA, não entra
combustível em Cuba. A situação levou ao esgotamento das reservas e às
consequentes falhas na distribuição de energia que têm afectado este país. A decisão
dos EUA de impor medidas coercivas aos países e entidades que forneçam
combustíveis a Cuba visa privar todo um povo das condições que lhe permitam
assegurar a resposta às suas mais prementes necessidades.
Esta mais recente escalada de agressão dos EUA contra o povo cubano foi
acompanhada da inaceitável e infundada proclamação por Donald Trump de que Cuba
constituiria uma dita «ameaça inusual e extraordinária» à «segurança nacional e à
política externa» dos EUA.
O bloqueio económico, comercial e financeiro constitui, desde há décadas, o eixo
central da política de agressão dos EUA a Cuba. Um criminoso e desumano bloqueio
unilateral e com carácter extraterritorial que, entre muitos outros gravosos aspectos,
visa obstaculizar, e mesmo impedir, o envio de remessas, o investimento estrangeiro e
o acesso a financiamento por parte de Cuba, assim como o seu acesso a matérias-
primas, alimentos, medicamentos, equipamento hospitalar, máquinas e materiais de
construção, combustíveis, produtos químicos, fertilizantes, entre muitos outros bens. O
bloqueio imposto pelos EUA representa o principal obstáculo ao desenvolvimento de
Cuba, afetando diretamente setores da economia, restringindo o acesso a recursos e
comprometendo as condições de vida da população.
A inclusão de Cuba na ilegítima e arbitrária lista dos EUA de ditos “Estados
patrocinadores do terrorismo” é uma forma utilizada pela Administração norte-
americana para agravar o bloqueio, visando obstaculizar transações financeiras e
possibilidades de cooperação no plano internacional.
Só entre março de 2024 e fevereiro de 2025, o bloqueio provocou prejuízos
económicos a Cuba estimados em mais de 7 mil milhões de dólares. Tais prejuízos
tiveram um aumento de cerca de 50% face ao período anterior, consequência direta da
intensificação da política dos EUA de asfixia económica e financeira de Cuba. Neste
mesmo período, o turismo, uma das principais fontes de receita de Cuba, sofreu perdas
no valor de 2,5 mil milhões de dólares.
A recente escalada de agressão dos EUA contra Cuba tem provocado
consequências ainda mais gravosas, ameaçando vidas, causando sofrimento e
privações – uma escalada de agressão que visa todo um povo por não abdicar da sua
soberania e direitos, incluindo o direito de decidir soberanamente e livre de ingerência
externa o seu caminho de desenvolvimento. De um povo que optou por se libertar de
décadas de domínio do imperialismo norte-americano e que decidiu tomar nas suas
mãos o seu caminho, constituindo um exemplo de dignidade, coragem e determinação
em defesa da sua soberania e direitos e de permanente solidariedade com os povos do
mundo.
Sublinhe-se que, à luz do direito internacional, é ilegal a imposição de medidas
coercivas unilaterais e com carácter extraterritorial, tanto mais quando são dirigidas
contra todo um povo, como fazem os EUA com o bloqueio económico, comercial e
financeiro que impõem a Cuba.
No passado mês de outubro, pela 33ª vez consecutiva, a esmagadora maioria dos
Estados integrantes da Assembleia Geral das Nações Unidas tomaram posição pelo fim
do bloqueio que os EUA impõem a Cuba. Uma decisão que – apesar das inaceitáveis
falsidades expressas e pressões exercidas sobre diversos países pelos EUA para os
coagir a modificar o seu sentido de voto – constitui uma expressiva rejeição no âmbito
da ONU da política dos EUA em relação a Cuba.
No respeito pelos princípios inscritos na Constituição da República, a Assembleia
da República deve respeitar a soberania e os direitos do povo cubano, a independência
da República de Cuba.
Assim, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do
n.º 1 do artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP propõem
que a Assembleia da República adote a seguinte:
Resolução
A Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da
República Portuguesa, resolve recomendar ao Governo que no âmbito das suas
relações internacionais e nas instituições internacionais em que está representado:
1. Condene a escalada de agressão e de ameaças dos EUA contra a República de
Cuba;
2. Inste os EUA a respeitar a independência da República de Cuba, a soberania e
os direitos do povo cubano, incluindo o direito de decidir soberanamente e livre
de ingerência externa o seu caminho de desenvolvimento;
3. Inste os EUA a abster-se de uma qualquer agressão militar contra Cuba;
4. Realize e promova iniciativas de efectiva solidariedade material ao povo cubano
em articulação com as autoridades cubanas;
5. Inste os EUA a pôr fim imediato às medidas coercivas aos países e entidades que
forneçam combustíveis a Cuba;
6. Inste os EUA a retirar Cuba da ilegítima e arbitrária lista dos EUA de ditos
“Estados patrocinadores do terrorismo”;
7. Inste os EUA a pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro, a todas
as medidas coercivas unilaterais e com carácter extraterritorial, que impõem
contra Cuba;
8. Inste os EUA a pôr fim a todas as acções de ingerência e desestabilização contra
Cuba;
9. Inste os EUA a respeitar os princípios da Carta das Nações Unidas e do direito
internacional, estabelecidos com a vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda
Guerra Mundial;
10. Desenvolva as relações económicas e culturais com Cuba, que são do interesse
dos povos português e cubano e de Portugal e Cuba.
Assembleia da República, 25 de março de 2026
Os Deputados,
Paulo Raimundo, Paula Santos, Alfredo Maia
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