PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 966/XVII/1.ª
PELA PROMOÇÃO DA IGUALDADE DE CONDIÇÕES NOS EXAMES NACIONAIS PARA ALUNOS COM DALTONISMO
Exposição de Motivos
A crescente preocupação com a acessibilidade nas provas de avaliação externa tem vindo a evidenciar a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de adaptação atualmente existentes para alunos com limitações na perceção cromática, nomeadamente situações de daltonismo. Embora o atual quadro normativo já preveja medidas de inclusão e instrumentos de apoio, a experiência reportada por diversos alunos demonstra que subsistem constrangimentos práticos na interpretação de gráficos, mapas e esquemas cuja leitura depende da distinção entre cores semelhantes.
Importa reconhecer o esforço desenvolvido pelas entidades educativas na implementação de soluções de acessibilidade, designadamente através da utilização do sistema ColorADD e da disponibilização de formatos adaptados de provas. Contudo, a evolução tecnológica e pedagógica, bem como a identificação de novas dificuldades concretas em contexto de exame, justificam uma reflexão adicional sobre a eficácia prática dessas medidas e sobre a necessidade do seu aperfeiçoamento contínuo.
Os casos identificados demonstram que determinadas combinações cromáticas, sobretudo quando associadas a gráficos complexos, linhas sobrepostas ou tonalidades próximas, podem continuar a criar obstáculos à correta interpretação da informação por alunos com daltonismo, mesmo quando existe recurso ao sistema ColorADD. Tal circunstância pode comprometer, em situações específicas, a plena igualdade de oportunidades na realização das provas de avaliação externa.
Verifica-se igualmente a importância de assegurar procedimentos uniformes e claros de atuação perante situações reportadas durante a realização dos exames nacionais. A existência de protocolos harmonizados entre escolas, secretariados de exames, Júri Nacional de Exames e entidades responsáveis pela elaboração das provas contribuirá para garantir respostas mais céleres, previsíveis e adequadas às necessidades identificadas em tempo real.
Neste contexto, revela-se pertinente promover uma revisão técnica e pedagógica das atuais práticas de acessibilidade visual nas provas nacionais, reforçando mecanismos preventivos, instrumentos de adaptação e ações de sensibilização dirigidas aos intervenientes educativos, com o objetivo de consolidar um sistema de avaliação externa cada vez mais inclusivo, equitativo e ajustado à diversidade das necessidades dos alunos.
Neste sentido, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os/as Deputados/as do Grupo Parlamentar do PSD, abaixo-assinados, propõem que a Assembleia da República recomende ao Governo as seguintes medidas:
Proceda à revisão e reforço das normas de acessibilidade visual aplicáveis às provas e exames nacionais, promovendo a adoção de soluções gráficas complementares à diferenciação por cor, designadamente através da utilização de padrões, símbolos, texturas ou contrastes alternativos, bem como à reavaliação técnica da aplicação do sistema ColorADD em contextos de avaliação externa.
Desenvolva, em articulação com o EduQA, o Júri Nacional de Exames, as escolas e entidades especializadas, um protocolo nacional de atuação para situações de acessibilidade identificadas durante a realização das provas, incluindo mecanismos de resposta imediata, formação específica para docentes e vigilantes e procedimentos uniformizados de acompanhamento e reporte de ocorrências.
Palácio de São Bento, 14 de maio de 2026
As/Os Deputadas/os,
Hugo Soares
Pedro Alves
Célia Freire
Inês Barroso
Ana Gabriela Cabilhas
Ana Isabel Ferreira
Ana Silveira
Bruno Faria
Carolina Marques
Emídio Guerreiro
Germana Rocha
João Pedro Louro
Joaquim Barbosa
Liliana Sousa
Manuela Carvalho
Nuna Menezes
Sónia dos Reis
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