Projeto de Resolução n.º 642/XVII
Apoio aos estudos necessários à salvaguarda e proteção das Alagoas Brancas e do Paúl de Lagos, por forma a viabilizar a sua classificação como Reserva Natural Local
Na última década, a valorização das Alagoas Brancas, enquanto polo de biodiversidade de reconhecida relevância no Algarve, tem sido reiteradamente defendida na Assembleia da República pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista.
Recorde-se que, em 2018, uma iniciativa do Grupo Parlamentar do PS (Projeto de Resolução n.º 1285/XIII/3), visando a proteção das zonas húmidas da Lagoa dos Salgados e o Sapal de Pera, Ribeira do Almargem e do Trafal, Paúl de Lagos e, precisamente, as Alagoas Brancas, foi aprovada por unanimidade. Esta iniciativa deu origem à Resolução da Assembleia da República n.º 107/2018, que recomenda ao Governo a preservação e classificação das Zonas Húmidas do Algarve
Na sequência desta recomendação, o XXI Governo Constitucional, liderado pelo Partido Socialista, decidiu financiar, através do Ministério do Ambiente, a associação Almargem, com o objetivo de coordenar o estudo e a caracterização das referidas zonas húmidas localizadas nos concelhos de Albufeira, Silves, Loulé, Lagos e Lagoa.
A importância destes ecossistemas, bem como a sua notável riqueza e diversidade biológica — enquanto habitats de abrigo e reprodução para inúmeras espécies de flora e fauna, em particular aves migratórias — ficou amplamente demonstrada pelo estudo realizado, justificando plenamente a sua conservação e o reforço do respetivo estatuto de proteção ambiental.
Em dezembro de 2021, o então Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, anunciou a classificação da Lagoa dos Salgados como Reserva Natural Nacional, tornando-se a primeira área protegida de âmbito nacional criada nos últimos 25 anos.
Mais recentemente, em dezembro de 2023, o Ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, determinou o financiamento, através do Fundo Ambiental, da aquisição dos terrenos privados das Alagoas Brancas pela Câmara Municipal de Lagoa.
Em simultâneo, a Câmara Municipal de Loulé concluiu também o processo de criação da Reserva Natural Local da Ribeira do Almargem, encontrando-se ainda em curso os processos de proteção do Paúl de Lagos e das Alagoas Brancas.
Importa agora prosseguir com os estudos e procedimentos necessários à salvaguarda e proteção das Alagoas Brancas e do Paúl de Lagos, por forma a viabilizar a sua classificação como Reserva Natural Local. Para o efeito, revela-se essencial assegurar o adequado apoio técnico e financeiro.
Assim, ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, os Deputados abaixo-assinados do Grupo Parlamentar do Partido Socialista apresentam o seguinte projeto de resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do disposto do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo a atribuição de apoio técnico e financeiro aos municípios de Lagoa e de Lagos, no âmbito do Fundo Ambiental, tendo em vista a prossecução dos estudos necessários à salvaguarda e proteção das Alagoas Brancas e do Paúl de Lagos, por forma a viabilizar a sua classificação como Reserva Natural Local.
Palácio de S. Bento, 27 de fevereiro de 2026.
As Deputadas e os Deputados
Luís Graça
Jorge Botelho
André Pinotes Batista
Eva Cruzeiro
Hernâni Loureiro
Hugo Costa
José Carlos Barbosa
Luís Moreira Testa
Miguel Costa Matos
Pedro Vaz
Sofia Andrade
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Votação na generalidade — DAR I série — 61-61 - 07/03/2026
7 DE MARÇO DE 2026
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Calem-se! Com quem julgam que estão a gozar?!
O Sr. Pedro Vaz (PS): — Mas quem é que pensas que és?!
A Sr.ª Rita Matias (CH): — Continuem a gozar, continuem!
O Sr. Presidente (Diogo Pacheco de Amorim): — Srs. Deputados!
Protestos de Deputados do CH e contraprotestos de Deputados do PS.
Srs. Deputados, há alguma questão?
Pausa.
Não há? Então, continuamos com as votações.
Vamos votar, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 413/XVII/1.ª (L) — Recomenda a proteção formal
das Alagoas Brancas e a concretização do Parque Natural da Cidade de Lagoa.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do CH, do PS, do L, do PCP, do CDS-PP, do BE,
do PAN e do JPP e as abstenções do PSD e da IL.
O projeto de resolução baixa à 11.ª Comissão.
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 628/XVII/1.ª (CH) — Salvaguardar a
zona húmida das Alagoas Brancas do concelho de Lagoa, no Algarve.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do CH, do PS, da IL, do CDS-PP, do BE, do PAN
e do JPP e as abstenções do PSD, do L e do PCP.
Esta iniciativa baixa à 11.ª Comissão.
Votamos agora, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 642/XVII/1.ª (PS) — Apoio aos estudos
necessários à salvaguarda e proteção das Alagoas Brancas e do Paúl de Lagos, por forma a viabilizar a sua
classificação como reserva natural local.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, da IL e do CDS-PP, os votos a favor
do PS, do L, do PCP, do BE, do PAN e do JPP e a abstenção do CH.
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 650/XVII/1.ª (PAN) — Recomenda ao
Governo a adoção de medidas urgentes para garantir a execução dos compromissos assumidos para a
proteção e recuperação da zona húmida das Alagoas Brancas, no concelho de Lagoa.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do CH, do PS, do L, do PCP, do BE, do PAN e
do JPP, os votos contra do PSD e do CDS-PP e a abstenção da IL.
O projeto de resolução baixa à 11.ª Comissão.
Segue-se a votação do Projeto de Resolução n.º 655/XVII/1.ª (BE) — Proteção das Alagoas Brancas
enquanto reserva natural de Lagoa.
Submetido à votação, foi rejeitado, com os votos contra do PSD, da IL e do CDS-PP, os votos a favor
do PS, do L, do PCP, do BE, do PAN e do JPP e a abstenção do CH.
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Apreciação — DAR I série — 47-54 - 07/03/2026
7 DE MARÇO DE 2026
O Sr. Jorge Pinto (L): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Caras e Caros Concidadãos das galerias,
cumprimento também os peticionários que fazem com que, novamente, vários anos depois, na verdade, se
voltem a discutir neste Parlamento as Alagoas Brancas da cidade de Lagoa.
Isto mostra bem que fazer política é muito mais do que estar aqui sentado. Fazer política é muito mais do
que ser um dos 230 legisladores do nosso Parlamento. Fazer política é ser cidadão de pleno direito — e aquilo
que esta petição conseguiu, aquilo que estas mulheres e homens foram conseguindo ao longo dos anos, foi
uma enormíssima vitória política.
Aplausos do L.
Se não, relembremos: um projeto que estava aprovado para urbanizar uma zona húmida, zonas húmidas
estas que são importantíssimas para a preservação das espécies que ali têm o seu refúgio, para a
preservação da biodiversidade e até, potencialmente, para ter uma ligação mais harmoniosa entre os seres
humanos e a natureza. Houve então um projeto para que aí se pudesse construir um retail park.
Mas estes cidadãos, estas mulheres e estes homens, graças a uma providência cautelar, graças à atenção
mediática que atraíram para este projeto, conseguiram fazer com que ele fosse revertido e conseguiram
forçar-nos a nós, agentes políticos, a que, numa articulação entre o Estado central, o Governo e a autarquia da
Lagoa, se procedesse à compra daqueles terrenos, para que aí se fizesse então a renaturalização daquele
espaço, um espaço localizado praticamente às portas da cidade e, com isso, criar um novo local para a própria
cidade, para aquelas pessoas, para as aves que, como se percebeu, ali também têm o seu refúgio.
Isto é e tem de ser a grande transição ecológica das nossas cidades: ter espaços verdes, ter refúgios
naturais que são utilizados desde logo pela própria natureza, mas dos quais o ser humano também usufrui —
mas usufrui não os transformando, não os alterando, mas fazendo o contrário, permitindo que a natureza
possa ser aquilo que é: um espaço verde, um espaço que cresce e um espaço onde o ser humano também
pode viver e aí, com ela, crescer.
Mas esta compra de quase 4 milhões de euros, feita graças ao Fundo Ambiental, tinha uma consequência,
e essa consequência era a da efetiva renaturalização do espaço, a da efetiva criação de um parque que
servisse a própria cidade de Lagoa, que servisse as Alagoas Brancas, que a protegesse e que servisse
também quem ali vive e quem poderia passar a frequentar aquele espaço.
É isso que continua por fazer, e continua por fazer, por coincidência até, no dia a seguir a Portugal ter sido
multado pelas instituições europeias, pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, por não cumprir com a lei
habitat dois dias depois de o Sr. Presidente da Câmara de Lagoa ter vindo pedir para alargar os prazos
porque, afinal, já não conseguia cumprir a previsão e aquilo que era a sua obrigação.
Nós, no Livre, estamos muito cansados de políticas reativas, queremos ser proativos. E também queremos
ser proativos aqui, na proteção das Alagoas Brancas e na criação de um parque natural, tal como previsto e tal
como garantido pelo financiamento que o Estado garantiu.
Aplausos do L.
O Sr. Presidente (Diogo Pacheco de Amorim): — Tem agora a palavra, para apresentar o seu projeto, a
Sr.ª Deputada Sandra Ribeiro, do Chega.
A Sr.ª Sandra Ribeiro (CH): — Sr. Presidente, Srs. Deputados, cumprimento a primeira signatária e os
peticionários desta petição novamente aqui discutida hoje, «Salvar a zona húmida das Alagoas Brancas».
Anabela Blofeld, do Movimento Salvar as Alagoas Brancas, encontra-se aqui presente e nunca desistiu,
desde a sua primeira apresentação em 2023. Nessa altura, o Chega apresentou um projeto de resolução
visando a salvaguarda desta zona no sentido da sua proteção e classificação como área protegida e a
necessidade da sua avaliação ambiental — mas esta iniciativa foi chumbada pela maioria absoluta do PS à
data no Governo.
Esta zona húmida, com cerca de 6 hectares, alberga mais de 300 espécies registadas de fauna e flora,
incluindo espécies raras e ameaçadas em Portugal. Durante as últimas chuvas, as Alagoas Brancas
contribuíram para conter a enchente de águas na cidade de Lagoa, mitigando riscos para as pessoas e bens.
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